Capítulo 4: Ecos na Tempestade

O céu de Aerden escurecia com nuvens pesadas que prometiam chuva, como se o próprio mundo pressentisse a dor que se abatia sobre Noah. No interior de seu pequeno quarto acima da forja, ele girava a rosa branca entre os dedos calejados, a pétala já começando a secar — um lembrete cruel do que estava perdendo.

Os dias sem notícias de Leah arrastavam-se em um tormento silencioso. Cada batida do martelo na bigorna era uma descarga de raiva e desespero. Seu mentor, o velho Halrik, observava com olhos preocupados, mas nada dizia. Alguns sentimentos eram velhos demais para serem confortados.

Numa noite chuvosa, Noah ouviu uma batida frenética à sua porta. Ao abrir, deparou-se com a criada idosa de Leah, encharcada, o rosto pálido de pavor.

— Leah... — arfou ela. — Ela será enviada para a propriedade de inverno, longe daqui. Amanhã, ao amanhecer.

Noah sentiu o chão sumir sob seus pés.

Sem pensar, ele correu para a cidade alta, desafiando a tempestade e os guardas. Saltou muros, esgueirou-se por vielas e, finalmente, alcançou os jardins silenciosos do palácio.

E ali, sob a chuva, viu Leah à janela, chorando silenciosamente.

Ele atirou uma pedra na janela, uma, duas vezes, até que ela olhou para baixo, os olhos arregalados de medo e esperança. Sem pensar duas vezes, Leah abriu a janela e, com a ajuda de lençóis amarrados, desceu até ele.

Por alguns instantes, o mundo era só deles. A chuva os envolvia em seu véu frio, e cada batida do coração parecia uma explosão em seus peitos.

— Eu não posso ir sem você — Leah sussurrou, agarrando-se a ele.

— Então fuja comigo — respondeu Noah, sem hesitação.

Ela hesitou, a realidade do que isso significava gravando-se em seus olhos azuis. Mas antes que pudesse responder, passos ecoaram pelo jardim. Guardas surgiram das sombras, armas em punho.

— Aí está ele! Peguem o ferreiro!

Leah gritou quando mãos rudes os separaram. Noah lutou, acertando um guarda, mas logo foi imobilizado, o rosto pressionado contra o chão molhado.

Antes de ser arrastado, ele ouviu Leah gritar seu nome, a voz dela cortando a noite como um trovão.

E, enquanto era levado para longe, algemado, Noah soube que o preço de amá-la seria maior do que jamais imaginara.

Um amor que nasceu na luz agora era perseguido pelas sombras.

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